Vida vegetal na Antártida surpreende cientistas

Segundo artigo publicado por cientistas britânicos no periódico Currenty Biology, o aquecimento global está provocando o aumento da quantidade de plantas no continente antártico. Na inóspita região a quantidade de vegetais é escassa, contudo, os especialistas analisaram a atividade biológica de cinco tipos de musgos e constaram um considerável incremento – de quatro a cinco vezes – nas últimas cinco décadas.

Ainda que aparente ser uma boa notícia, pois o crescimento de áreas verdes conservadas são almejadas nas regiões intertropicais do planeta, este fato, infelizmente, não pode ser aplicado à Antártida. De acordo com os pesquisadores, a descoberta evidencia um preocupante aumento da temperatura na região, o que pode vir a afetar todo o ecossistema do continente.

Conforme relata o paleoclimatologista e líder da pesquisa, Dr. Matt Amesbury, professor da Universidade Exeter, na Inglaterra, “Os aumentos de temperatura durante metade do século passado na Península Antártida tiveram um efeito dramático sobre os bancos de musgo que crescem na região”. Ainda segundo o cientista, “Se isso continuar, e com quantidades crescentes de terra livre de gelo do retiro contínuo da geleira, a Península Antártida será um lugar muito mais verde no futuro”, conclui.

Pouca vida no continente

Encontrar vida vegetal na Antártida é um missão complicada – apenas 0,3% da superfície do continente abriga plantas. Contudo, musgos são ótimos colonizadores, podendo se adaptar com certa facilidade a variados tipos de clima. Aqueles que são encontrados (bem preservados) em sedimentos, proporcionam aos pesquisadores um meio de investigar como o crescimento da vida vegetal responde a transformação climática do continente.

Ao todo, o estudo recém-divulgado investigou cinco amostras de diferentes espécies de musgos, encontradas em três zonas distintas, perfazendo uma área de 1000 quilômetros quadrados. A partir das informações reveladas nos exemplares estudados, o time de pesquisadores puderam examinar o contexto climático do último século.

Dentre as informações analisadas estão a abundância de musgos, as taxas de crescimento, a dimensão das populações de microrganismos e os índices de variadas formas de carbono nos vegetais – esta última revela as condições do clima para elaboração de fotossíntese em um determinado período de tempo.

As respostas encontradas indicam de forma clara “pontos de mudança” – épocas em que houve uma maior atividade da vida vegetal – da primeira metade do século passado até os dias atuais. De acordo com outro cientista participante da pesquisa e também professor da Universidade de Exeter, Dan Charman, “A sensibilidade do crescimento do musgo aos aumentos da temperatura no passado sugere que os ecossistemas vão mudar rapidamente sob aquecimentos futuros, levando a maiores alterações na biologia e nas paisagens desta região icônica”,expõe.

Os resultados corroboram as constatações de outro estudo, publicado quatro anos atrás e conduzido pelo mesmo time de cientistas, que verificava a ocorrência de musgos residentes em regiões mais meridionais da Ilha de Alexander, porção oeste da Península Antártida. Nas próximas incursões, os especialistas esperam analisar amostras de milhares de anos atrás para medir como a mudança do clima alterou a biodiversidade após o aquecimento provocado pelo ser humano.