Venezuela não faz mais parte do Mercosul

A Venezuela não faz mais parte do Mercosul. Chanceleres de outros países participantes do bloco econômico anunciaram que fizeram o comunicado ao país a respeito de sua suspensão.
Integrantes dos países fundadores, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai fizeram o anúncio. O comunicado apresentado pelo Ministério de Relações Exteriores da Argentina no dia 2 de dezembro de 2016, um dia depois da Venezuela completar quatro anos de adesão ao bloco econômico. Esse foi o prazo máximo estipulado pelos demais países para que os venezuelanos pudessem cumprir com as normas de adesão.
“No dia de ontem foi analisado o estado de cumprimento das obrigações assumidas pela Venezuela, constatando-se o estado de descumprimento”, diz a nota.
No mesmo dia, Delcy Rodrígues ministra de relações exteriores da Venezuela, afirmou por meio de sua conta no Twitter que o país não havia sido suspenso, em reação a notícia antecipada pelas agências de notícias internacionais, como a France Presse e Reuters.
Trajetória da Venezuela no Mercosul
Aceita em 2012 após uma manobra dos governos Dilma Russeff e Cristina Kirchner, da Argentina, a Venezuela deveria cumprir uma série de normas para se manter no Mercosul. Em dezembro do mesmo ano, foi oficialmente integrada ao bloco em uma negociação conduzida pelo presidente paraguaio Horácio Cartes.
Apesar dos esforços dos demais países, a Venezuela não cumpriu a maioria dos prazos, de adesão ao bloco, sobretudo as normas relacionadas as questões econômicas. Com oi descumprimento, a solução encontrada foi a suspensão da Venezuela.
O que acontecerá a partir de agora
O bloco do Mercosul contou um forte crescimento econômico e político durante os últimos dez anos, o que levou a aceitar a Venezuela. Sua suspensão pode levar a uma divisão ideológica entre os países participantes, que passam por um período delicado. O preço das commodities caiu e o cenário é de fragilidade econômica.
Além disso, a decisão isola ainda mais o governo de Nicolás Maduro, acusado de ser o responsável por uma profunda crise política, econômica e humanitária no país. Maduro afirmou em nota que não aceita a decisão tomada e que continuará participando das reuniões do grupo.
Para ingressar novamente no Mercosul, atualmente formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, a Venezuela vai ter que negociar novos termos de acordo com as regras comerciais e relacionadas a imigração.
O governo Maduro informou que algumas das 130 medidas não podem ser realizadas. Entre elas estão normas ligadas aos direitos humanos, classificadas como inadmissíveis pelos venezuelanos que estão no poder. O que indica que qualquer negociação para tratar da reintegração pode ser tensa e perdurar por anos.