No verão, é preciso pensar nos mosquitos, ou melhor, como evita-los. Confira.

Com a chegada do verão, também vem a chegada, em maior número, dos desagradáveis pernilongos, borrachudos e Aedes aegypti. Bom, como Brasil encontra-se em meio a uma crise em relação às doenças como zika, dengue e chikungunya, transmitidas pelo Aedes, nunca é demais informar-se sobre as melhores formas de prevenção. Dito isso, vamos lá.

Para começar, vale salientar que os pernilongos, presentes em regiões tropicais e subtropicais de todo o planeta, são diferentes do Aedes aegypti e dos borrachudos em relação ao ciclo de vida, habitat e anatomia. Desta forma, sabe-se que nem tudo que é eficaz para repelir um deles, também será eficaz para o outro.

Por exemplo, de acordo com a Agência Nacional de Saúde (Anvisa, existem apenas três princípios ativos registrados nos repelentes industriais: o DEET (n,n-Dietil-meta-toluamida), o IR3535 e a Icaridina. A infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Nancy Bellei, explica que esses três compostos químicos são eficientes no combate aos pernilongos e aos borrachudos. Contra o Aedes aegypti, porém, apenas os químicos à base de icaridina são eficazes.

Mas quando a questão é em relação à dúvida – repelentes ou inseticidas? – os especialistas alertam: “o repelente não resolve o problema”, ele só vai afastar o mosquito, mas não vai matar, destaca o entomologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rafael Freitas.

Os inseticidas, por sua vez, são normalmente encontrados em formatos de aerossol e tem como princípio ativo a permetrina. “Geralmente, essas latas que vendem em supermercados são inseticidas, para matar. E a gente tem os fumacês que também servem para matar os pernilongos. O resto, citronela, cravo, borra de café, são repelentes.”, aponta Freitas.

Também acredita-se que dois equipamentos podem ser usados contra as desagradáveis criaturas, o ventilador e o ar-condicionado. Há quem use o ventilador para repelir os mosquitos, visto que o vento criado pelo aparelho atrapalha o voo dos insetos. No entanto, obviamente, essa solução é apenas uma solução pontual. Para o entomologista Fiocruz, contudo, a utilização do ar-condicionado, pode ser, de certa forma, funcional, já que, de acordo com ele, “os mosquitos ficam menos agitados nas temperaturas mais frias”. O ideal seria manter a temperatura entre 16ºC e 18ºC.

 

Recomendações para crianças e gestantes

 

Para as crianças: a dermatologista Carolina Marçon ressalta que a pele das crianças é mais fina e, por isso, as substâncias acabam penetrando mais. Desta forma, o uso de repelentes deve ser moderado. Ela ainda explica que esses produtos são indicados apenas para crianças acima de dois anos. Ainda assim, ele deve ser próprio para crianças, que é menos tóxico.

 

Para as gestantes: A Anvisa recomenda que gestantes que estão entre o primeiro e o terceiro mês de gravidez usem repelentes à base de DEET. Esses, entretanto, não são recomendados para crianças menores de 2 anos.

 

É preciso mais do que repelir

O ideal mesmo é eliminar os criadouros dos mosquitos. No caso do Aedes aegypti, a solução é evitar o acúmulo de água parada. Os pernilongos, por sua vez, colocam seus ovos em coleções de água com grande quantidade de matéria orgânica, sobressai Rafael Freitas. Já para os borrachudos, o entomologista salienta que “existem compostos químicos que são como larvicidas especificamente usados para combate a larvas de borrachudos”.