Nísia Floresta: a educação como vertente ideológica do feminismo no Brasil

Nísia Floresta

Nísia Floresta Brasileira Augusta pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto nascida no ano de 1810 em Papari (RN), (a cidade chama-se hoje Nísia Floresta) é considerada a primeira feminista do Brasil. Nísia Floresta é uma viajante, percorreu diversos Estados brasileiros como Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul e, por conseguinte mudou-se para a Europa e morreu, em 1885, nos arredores de Rouen, França.

Para esclarecer o pioneirismo de Nísia Floresta na educação feminina é preciso salientar o contexto histórico do século XIX: não existiam muitas escolas no Brasil e as poucas escolas que ensinavam as mulheres eram baseadas na “educação da agulha”, bordar e cozinhar eram disciplinas estudadas pelas meninas da época. Em 1838 Nísia Floresta inaugurou o Colégio Augusto (homenagem ao seu falecido marido) voltado para a educação feminina que além de disciplinas básicas ensinavam latim, francês, italiano, inglês, geografia, história, gramática e literatura e ainda limitavam o número de alunas para manter a qualidade do ensino.

Nísia Floresta considerava que o processo social de um país decorria da emancipação feminina e a educação seria o primeiro passo pra isso. Em 1816 a imprensa chega ao Brasil e desde 1830 Nísia Floresta colaborava com crônicas, artigos, poesias e ensaios defendendo os direitos femininos, dos índios e dos escravos. A obra Opúsculo Humanitário consiste em 62 artigos publicados, no Diário do Rio de Janeiro, em 1853, os textos propunham através da educação uma liberdade para a mulher no seu papel social, por essas razões Nísia Floresta pode ser considerada como uma das primeiras mulheres a utilizar a imprensa para a difusão de ideias feministas.

Nísia Floresta foi influenciada pelo positivismo de Augusto Comte que considerava a mulher como uma identidade positiva que era fundamental para a evolução das sociedades. Em Opúsculo a autora criticava o valor que os pais conferiam aos “triunfos que inebriam as filhas e lisonjeiam os pais”, influenciando o “gosto por futilidades, as quais, dando-lhes apenas ligeiros matizes de boa educação, só lhes atraem passageiros sucessos.” Para Nísia Floresta a educação é o principal alicerce garantidor dos direitos da mulher e da construção da identidade feminina.