MORRE, AOS 86 ANOS, FERREIRA GULLAR

Escritor, tradutor, biógrafo, crítico de arte, mas acima de tudo poeta, imortalizado por suas obras, foi o sétimo ocupante da cadeira número 37 da Academia Brasileira de Letras.
Gullar esteve internado no hospital Copa D’Or, na zona sul do Rio de Janeiro, em razão de uma pneumonia, que teve seu quadro agravado terminando por vitimar o poeta de 86 anos. Ferreira Gullar havia pedido à sua esposa, Claudia, que não permitisse que houvesse nenhum tipo de intervenção médica que prolongasse seu sofrimento, evitando, assim, que fosse entubado. No período de sua internação, Gullar ainda escreveu três crônicas.
O corpo será velado na Biblioteca Nacional, situada no centro do Rio, desejo expresso em vida por Ferreira Gullar. Na segunda-feira, às 9 horas será levado para a Academia Brasileira de Letras, de onde sairá às 15 horas para o mausoléu da ABL, no cemitério São João Batista, em Botafogo, onde será sepultado.
Maranhense, cresceu numa casa com onze irmãos, foi batizado de José Ribamar Ferreira, mas se fez Ferreira Gullar, aproveitando um dos sobrenomes da mãe. Sua infância foi transformada em obra, O Poema Sujo, que retrata a visão de um menino que brincava nas ruas de São Luís.
O Poema Sujo foi escrito na Argentina, quando esteve exilado do Brasil durante a ditadura militar. O poeta foi perseguido por sua militância no Partido Comunista Brasileiro, pois deixava transparecer em seus versos seu engajamento popular.
Quando retornou ao Brasil participou das diretas e nos últimos anos foi um critico ferrenho dos governos do PT.
Ferreira Gullar passou primorosamente por diversos campos da arte, como a literatura, teatro e a música, mas somente em 2014 aceitou se candidatar a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, ano em que se tornou um imortal, passando a ocupar a vaga deixada pelo jornalista Ivan Junqueira.
Dentre suas premiações se destacam o Prêmio Jabuti, o qual ganhou por suas obras “Resmungos”, como melhor livro de ficção, e por sua obra de poesia “Em alguma parte”. Faturou ainda o prêmio que é considerado o mais importante da língua portuguesa, o Prêmio Camões. Anos antes havia sido indicado por professores do Brasil e dos estados Unidos ao Nobel de Literatura, contudo, sem obter êxito.