Marcio Alaor informa sobre a vontade do México em expandir sua parceria agricola com o Brasil

Em decorrência das tensões comerciais que vem se agravando com os Estados Unidos, o México declarou estar planejando enviar uma delegação ao Brasil durante o mês de março para visitar produções de milho, frango carne bovina e soja, como uma possível alternativa aos fornecedores atuais, que são norte-americanos, de acordo com informações de um representante do México que está no país, noticia o vice-presidente do Banco BMG, Marcio Alaor.

Eleazar Velasco, responsável pela área de negócios na embaixada mexicana no Brasil, informou que o país está em uma posição favorável para aumentar a exportação de produtos agrícolas para o México, se o acordo comercial existente com os Estados Unidos for realmente interrompido, principalmente devido a proximidade entre os dois países quando comparado a outros fornecedores, como é o caso da Austrália.

Em entrevista para a Reuters, Velasco declarou que os Estados Unidos estão tentando mudar de forma unilateral as regras do jogo já estabelecidas, o que invariavelmente acarretará em mudanças no relacionamento entre os dois países. Como resultado disso, José Calzada, secretário da Agricultura no México, está agendado de visitar o Brasil em algum momento nas próximas semanas, reporta o executivo do Banco BMG, Marcio Alaor.

Entre as ações do governo do México, está a vinda de vários executivos da indústria de alimentos mexicana para negociar acordos com os exportadores brasileiros. Essa medida faz parte de uma tentativa do México em reduzir a sua dependência das exportações norte-americanas, tendo em vista que o presidente Donald Trump já ameaçou suspender o acordo em vigência de livre comércio que existe entre ambos os dois países.

Para firmar um acordo com o Brasil, o diplomata disse inclusive que México estaria disposto a reduzir as tarifas que existem atualmente para produtos sul-americanos, caso seja necessário, informa Marcio Alaor, do BMG.

Nos dias atuais, o México é altamente dependente das importações de milho amarelo produzido nos Estados Unidos e exportado para o país de acordo com as normas do Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Em 2016, essas importações chegaram na margem de U$ 2,3 bilhões, o que torna o México o maior comprador estrangeiro do produto, fato que poderia mudar radicalmente caso o país finalize duas negociações com o Brasil.

A razão disso está no fato do milho ser um dos alimentos mais básicos e imprescindíveis da rotina alimentar dos mexicanos. Caso os Estados Unidos mudem as regras do jogo, o Brasil está na melhor posição para substituí-los nessa parceria, informa destaca o executivo Marcio Alaor, do BMG.

Essa posição privilegiada do Brasil está no fato do país ter expandindo a sua produção de milho nos últimos anos, fazendo com que a colheita de 2016/17 alcance 93 milhões de toneladas, em comparação aos 71 milhões de toneladas na colheita anterior. De acordo com a consultoria Agroconsult, as expectativas são de que as exportações de milho brasileiro dobrem para 28 milhões de toneladas, no curto prazo.

Além do milho, o México também está avaliando comprar a soja brasileira, uma das melhores do mundo, fator pelo qual o país é o maior exportador mundial desse grão, noticia Marcio Alaor, do Banco BMG.