Em pleno seu centenário, Jazz ainda é difícil de ser definido

Uma vez perguntaram a Louis Armstrong o que é Jazz, ele soltou uma gargalhada e disse: se você não sabe então nunca vai saber. Agora o Jazz esta comemorando cem anos com a maior contribuição da cultura negra no ocidente e o seu marco inicial é o lançamento em 1917 do disco “Livery Stable Blues” com a “Original Dixieland Jazz Band” do ítalo americano Dominic James LaRocca, mais conhecido como Nick laRocca, e formada só por músicos brancos.

LaRocca era um músico medíocre malandro de origem siciliana que se enturmou com os músicos negros de New Orleans e gravou o primeiro disco de Jazz, “Livery Stable Blues“, gravado em 26 de fevereiro de 1917 e liberado em 7 de março de 1917. Foi um escândalo, pois LaRocca foi acusado de imitador barato e plagiador, mas se dizia o Cristóvão Colombo do Jazz. E logo depois ele fez um verdadeiro sucesso com a música Tiger Rag que Louis Armstrong escreveu pra ele.

Criado por escravos africanos no final do século XIX na Luisiana, o Jazz se desenvolveu nos bares e bordéis de New Orleans e graças a gênios musicais como, Miles Davis, Charlie Parker, John Coltrane, o Jazz ganhou as salas de concertos e se tornou a maior conquista da cultura negra no ocidente no século XX.

Foi nos anos vinte, na era da proibição de bebidas alcoólicas e do gangsterismo, que o Jazz se tornou a trilha sonora de toda uma cultura americana. A nova música era fascinante e deslumbrante, permitia improvisações simples e complexas, invenções harmônicas e grande riqueza de solos de vários instrumentos musicais. Com os anos trinta veio a explosão do Swing ao Bebop, a era das Big Bands, as grandes damas do Jazz, Ella Fitzgeraund, Sarah Voughan, Billie Holiday, e depois o CowJazz de Stan Getz, uma verdadeira injeção de cultura afro-americana que reinou soberana até a metade do século passado.

O Jazz era muito popular nos EUA até que apareceu o Rock e suas vertentes, uma mistura de Blues com Country e que deu origem a um dos maiores gêneros musicais de todos os tempos. O Rock and Roll fez balançar o coração dos americanos e de quase todos ao redor do mundo, um cenário musical muito rico que contribuiu para o esquecimento e para o grande declínio do Jazz. A partir dai, o Jazz entrou em decadência vertiginosa e quase acabou, até que Miles Davis misturou o Rock com o Jazz e revolucionou o Jazz. Mas do que um gênero musical, o Jazz se transformou numa linguagem universal, integrado a música eletrônica, ao Rock and Roll, a música clássica, misturado ao Funk, ao Soul, ao Samba e aos ritmos africanos e orientais, o Jazz está cada vez mais vivo e mais difícil de definir.