Cada vez mais, produtor agrícola lucra menos na venda dos alimentos, diz pesquisa global

Dada a tremenda importância da agropecuária nas economias dos países de modo geral, o normal é esperarmos que os agricultores venham tendo, constantemente, bastante lucro, ainda que situações como a paralisação dos caminhoneiros, ocorrida há algum tempo, possam prejudicá-los momentaneamente. No entanto, não são essas as notícias que vêm surgindo, tratando-se da realidade de fato, ao redor do mundo, independentemente de ocorrerem ou não algumas situações semelhantes à referida paralisação. Ao menos, é o que apontou, já ao final do mês de junho deste ano, uma pesquisa divulgada pela ONG britânica Oxfam, segundo a qual, do valor final que se paga por alimentos, nos grandes supermercados, vem diminuindo, cada vez mais, a parte que retorna a quem realmente os produziu, os agricultores. E já podemos adiantar que a culpa repousa, como não é de se espantar, nos conglomerados que dominam esse setor tanto nos Estados Unidos quanto no continente europeu, pois acabam por abocanhar quase 50% do preço final desses gêneros alimentícios.

Mas a pesquisa vai bem além dessa simples constatação, visto que aprofunda-se em vários dados, todos comparados numa escala de tempo. Portanto, uma das conclusões mais específicas à qual chegou-se, é justamente a de um aumento, nos últimos anos, dessa distorção em questão no Brasil, prejudicando os nossos agricultores. Afinal, se de uma cesta contendo 12 produtos alimentícios, em 2015, era retido, pelos supermercados, um total de 48,3% do valor cobrado pelos produtos, ficando então com apenas 6,5% os trabalhadores agrícolas, dezenove anos antes, no entanto, em 1996, os percentuais eram, respectivamente, de 43,5% e 8,8%. Sim, só vem crescendo a concentração e a consequente desvalorização do trabalhador agrícola, nas duas últimas décadas.

Mais detalhes ainda são válidos, a exemplo da idêntica porcentagem que sobrou para o pequeno agricultor, no mesmo ano de 2015, fosse ele um produtor brasileiro de suco de laranja ou um produtor queniano de feijão verde; fosse ainda um produtor vietnamita de camarão ou um produtor tailandês de atum em lata. Afinal, para todos esses, o que sobrou foi uma fatia que nem sequer atingiu os 5%, como apontou a pesquisa da Oxfam, tema central destas notícias todas.