Altos níveis de poluição foram encontrados em áreas remotas do planeta

A destruição do homem chega até mesmo nos lugares mais escondidos do planeta, como é o caso de fendas oceânicas que corresponde as mais fundas situadas na Terra. Cientistas britânicos ficaram pasmos com o alto nível de poluição que foi encontrado em duas dessas fendas oceânicas, sendo os poluentes de origem orgânica persistentes, onde é incluído os pesticidas usados em plantações e diversos gases que foram eliminados pelos incineradores de industrias. Os POPs, nome dado a esses poluentes, também foram encontrados em pequenos crustáceos habitantes de fossas das Marianas e de Kermadec, além do Oceano Pacífico que apresentou fortes traços dos poluentes, todos com mais de 10 quilômetros de profundidade.

A revelação foi feita através de um estudo publicado pela Nature, revista científica, onde é possível observar a escala alarmante em que o homem está destruindo o planeta. A ação da humanidade não está prejudicando apenas o que está a nossa volta, mas até mesmo esses pontos pouco explorados e tão profundos do oceano, que nem mesmo estão perto de zonas industriais.

Os cientistas capturaram três espécies diferentes de crustáceos anfípodes, parentes do mais conhecido camarão. Eles se encontravam bem ao fundo do oceano, entre a Fenda Kermadec ao norte da Nova Zelândia e as Fendas das Marianas, ao leste das ilhas homônimas. Os crustáceos foram analisados em laboratório pela equipe, onde foi observado que eles carregaram uma alta concentração de POPs. Os que foram coletados na fenda Mariana, tinham ainda cerca de 50 vezes mais contaminação que os crustáceos encontrados no rio Liaohe, considerado um dos rios mais poluídos da China.

Os pobres animais tinham traços de Éteres Difenílicos Polibromados – PBDE, e Bifenilos Policlorados – PCB, todos esses poluentes pertencentes a poluição industrial. Pela alta periculosidade, a emição dos PCBs foi proibida pela ONU – Organização das Nações Unidas, no ano de 2001, mas no Brasil já era proibido desde 1981. A concentração encontrada nos pequenos crustáceos se equivale aos mesmos animais que habitam a Baía de Suruga, localizada no Japão, um local que tem um dos maiores níveis de poluição.

Segundo os cientistas, esses poluentes teriam sido passado através da cadeia alimentar, que no caso, acumulam-se nos animais e assim é passado através não somente da alimentação, mas como também da decomposição dos mesmos. Sendo assim, os poluentes acabam atingindo o fundo do mar, onde a concentração dos poluentes acaba sendo muitas vezes maior até mesmo que as águas da superfície.

O biólogo marinho Alan Jamieson, disse: “O fato de termos encontrado esses níveis extraordinários desses poluentes em um dos mais remotos e inacessíveis habitats da Terra realmente traz à tona o longo e devastador impacto que a humanidade está tendo no planeta. Ainda não sabemos o que isso significa para o ecossistema e entender essa questão será o nosso maior desafio”. Segundo ele, as ações do homem estão cada vez maiores atingindo pontos extremamente escondidos no planeta.

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